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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Nota sobre a Luta de classes no México:



Se fossemos escrever, no espírito de Mao Tsé Tung, uma Análise das Classes na Sociedade Mexicana, primeiramente teríamos de levar em consideração os seguintes fatos e aspectos concernentes a estrutura das classes no México:

(a) A classe dominante, formada, em sua base de expansão, por carteis de narcotráfico internacionais apropriadamente inseridos nos aparelhos administrativo-legais do Estado burguês, possui fundamentalmente um componente esotérico, oriundo do envolvimento destes mesmos carteis com organizações secretas e com ritos ocultistas;

(b) A contradição imediata e a tensão fundamental provocada por esta classe diz respeito às populações rurais-camponesas, que possuem uma natureza essencialmente indígena e, portanto, telúrico-identitária.

Nestes termos, existe um evidente antagonismo de classes que se desenha a partir de circunstâncias bem específicas. Há duas classes com propriedades econômicas antipódicas, cuja contradição se radicaliza até o nível do conflito armado: uma que age sob os auspícios do Estado mexicano (o conceito de Narco-Estado e de narcopolítica) e que, embora originada no México, atua em várias partes do mundo (nomadismo parasitário); outra que, embora enraizada no solo mexicano e nos espaços mesoamericanos tradicionais (sedentarismo produtor), é negligenciada pelo Estado nacional e reprimida brutalmente pelo mesmo: em associação com grupos paramilitares ligados ao crime organizado ou através de projetos expansionistas de urbanização e de espoliação compulsória de propriedades coletivas e tradicionais: luta de classes a todo vapor! Só que revestida de elementos étnicos-tribais, étnico-raciais, e, consequentemente, supra-materiais e supra-econômicos: eis aí uma complexidade dialéctica que facilmente passa desapercebida pelo crivo analítico marxista, mas que é de suma importância para a compreensão correta da dinâmica das classes na sociedade mexicana.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Um aforismo quarto-teórico contra o comunismo:


Agora é o nosso gosto que decide contra o cristianismo, não mais nossas razões, disse o homem que nasceu póstumo [1]. Desloquemos esta máxima em direção ao comunismo: é o nosso gosto que depõe contra ele, que nos afasta dele e nos repele da sua presença – e não nossas razões. É por sermos demasiadamente inclinados ao heroico, ao marcial, ao arcaico, ao belo e ao sublime que nos afastamos dele; é por amarmos as regiões longínquas do Mysterium e do Sagrado que o tomamos por desinteressante; são as nossas raízes folclóricas, a nossa disposição irresistível à nossa Terra e ao nosso Sangue que faz-nos rir de seus fins; é através das mil faces do nosso Übermensch – que ora se manifesta no percurso trágico do guerreiro, ora na via ascética e na gnose do santo – que rejeitamos o seu “Novo Homem” (assente sobre as energias infra-humanas da matéria!); é pelo reconhecimento do direito dos mortos – na perenidade dos nossos ancestrais – que abolimos de nosso meio o seu “progresso” e os seus “avanços”; são as energias vivificantes extraídas do nosso solo pela nossa casta de trabalhadores – pelos nossos produtores sedentários – a causa do nosso desdém e do nosso descaso à sua artificial “cultura proletária”.  
Esse é o nosso gosto: estes são os nossos apetites – esse é o nosso pathos e o nosso ethos. Esse também é o nosso argumento derradeiro (laopolítico e metapolítico) contra toda forma de comunismo e a única forma tolerável de anticomunismo.
 (I.S.) 
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[1] Nietzsche, F. A Gaia Ciência. Aforismo 132. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. A alusão é ao livro O Homem que Nasceu Póstumo, escrito pelo filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos acerca da vida e obra de Nietzsche.